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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Xbox One sem o Kinect é um grande tiro no pé da Microsoft ?


       A Microsoft vai lançar uma versão do Xbox One sem o Kinect deixou muita gente empolgada. Nas notícias que seguiram a revelação, não era difícil ver fãs comemorando a novidade — alguns de maneira bem acalorada, inclusive. E a razão para isso é simples: sem o acessório, o console chega às lojas custando US$ 100 a menos que o valor cobrado inicial, se igualando aos US$ 399 do PlayStation 4.
     Não é difícil entender por que tanta gente viu a remoção do sensor do kit básico como uma vitória. Afinal, o One ainda possui pouquíssimos jogos que realmente utilizam o periférico de maneira interessante e, até agora, ele funcionava mais como um extra do que como algo realmente relevante para a plataforma.
    Entretanto a decisão foi realmente acertada? É claro que, à primeira vista, tudo parece ótimo e maravilhoso, mas não é preciso ser um grande analista de mercado para perceber os impactos causados pela mudança de posicionamento da Microsoft em relação ao One. Lançar esse novo modelo foi a melhor coisa a ser feita ou uma decisão precipitada que pode trazer consequências muito maiores  e não tão boas assim  em um futuro não tão distante?
    Independente de sua opinião sobre o anúncio, uma coisa é certa: o novo Xbox One vai vender muito bem. Muito. Se o console já estava sendo muito bem aceito pelo público custando US$ 499, chega a ser óbvio que a versão mais barata vai se tornar ainda mais popular, ajudando a expandir a base de usuários da Microsoft significativamente.
      Como a ideia da empresa é exatamente tornar seu sistema mais competitivo para bater de frente com o PS4, é natural que uma “queda de preço” é o incentivo que faltava para atrair o consumidor, principalmente aquele que não dá a mínima para o Kinect e quer apenas jogar seu Call of Duty e seu Battlefield com os amigos na nova geração.
      Sob esse ponto de vista, a decisão da Microsoft não poderia ser mais acertada. Tanto que já há alguns analistas de mercado vendo que a disputa entre os dois principais sistemas vai se tornar ainda mais acirrada a ponto de termos uma reviravolta nos próximos anos. De acordo com o IDC, a nova situação do One deve fazê-lo superar o PlayStation 4 em números de vendas em vários países, incluindo os Estados Unidos, já em 2015.
       E o Brasil deve ser um desses territórios em que o Kinect “pelado” deve ganhar força, principalmente por conta de seu preço. Atualmente, o Xbox One completo custa R$ 2.300 em lojas oficiais e a versão sem a câmera chegará às lojas por R$ 2.000 — ou seja, metade do valor cobrado pela Sony com o PS4.
    Mas como muitos  comentários, não é difícil encontrar os consoles sendo vendidos bem mais barato que isso. Em muitas lojas, o One completo já custa R$ 1.800, o que pode significar que o novo modelo pode chegar a um preço muito mais acessível, alavancando sua base de usuários por aqui — uma reprise do fenômeno que tínhamos na geração passada.
      Só que, por mais que todo mundo goste de preços baixos e de ver aquele produto tão desejado ficar mais barato, não podemos nos enganar. É claro que um One mais em conta é ótimo, mas a que preço? De nada adianta a Microsoft abrir mão de alguns recursos para popularizar seu console se, para isso, ela sacrificar pontos importantes para o futuro da plataforma. E o primeiro passo para compreender isso é deixar de acreditar que estão sendo legais com você.
      E a dispensa do Kinect segue a mesma linha. O anúncio do Xbox One pelado não significa que a empresa “finalmente ouviu os consumidores”, como muita gente bradou nos comentários. O que ela fez foi uma resposta às vendas do PS4.
      Assim, a chegada do novo One não é uma forma de agradar os fãs, já que os clientes fiéis já têm o aparelho. A novidade foi, na verdade, uma tentativa desesperada de ultrapassar a Sony.
       Goste você ou não, o Kinect era o grande diferencial do Xbox One. Quando a Microsoft anunciou o console, em maio de 2013, a nova versão do acessório foi apresentada como parte fundamental de toda a estrutura do sistema. Nas palavras da própria companhia, ele seria o “coração da experiência integrada desta nova geração”.
        A ignorar o Kinect, a empresa mostra que não tem colhões para apostar em uma tecnologia exclusiva e inovadora. Repetindo o mesmo erro da geração passada, ela simplesmente deixou de apoiar o periférico porque ele exige mais esforços de desenvolvimento. Nesse ponto, ela ficou atrás da Nintendo, que se revelou muito mais corajosa e encarou as consequências de ter adotado o GamePad  mas sem abandoná-lo.
         Outro ponto bastante preocupante com o anúncio do Xbox One pelado é a quebra de confiança de todo o mercado em relação à Microsoft.
        
      Ao negar essas propostas e voltar atrás tantas vezes, a Microsoft passa a impressão que ela não tem ideia do que está fazendo. Ela tinha um planejamento que, apesar de polêmico, era bem construído e mostrava muito bem a visão da companhia para esta geração. Só que ela foi aos poucos descartando cada uma dessas propostas, nos deixando com aquela sensação de que nem mesmo ela sabe o que esperar do Xbox One nos próximos anos.
       Isso gera uma terrível falta de confiança tanto por parte dos consumidores que acreditaram e compraram o console por conta do diferencial apresentado quanto dos desenvolvedores que apostaram no console.
       E os estúdios já começaram a se expressar quanto à novidade. O responsável pela série Zumba Fitness, por exemplo, disse que essa decisão vai dificultar a vida de quem sonhava em usar o sensor em jogos originais, uma vez que ele deve se limitar apenas a títulos licenciados e musicais — ou seja, o mesmo tropeço da geração passada, sem falar que essa história de melhorar o desempenho do One agora que ele não depende mais do Kinect é tratar o dispositivo como um parasita. É mostrar que ele não é apenas desnecessário, como dizer que ele está limitando o verdadeiro potencial do console.
   
       E isso quer dizer que o One vai fracassar? Muito pelo contrário. É bem provável que o console venda horrores agora que ele está mais barato, principalmente logo após seu lançamento. O anúncio vai ser ótimo para as vendas, que parecem ser a maior preocupação da Microsoft. Nesse sentido, ela fez mandou muito bem.
      O problema é que o preço para isso, ela optou por abrir mão de toda a inovação e do potencial que o Kinect tinha a oferecer para esta geração.

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